Marcos Pontes foi destaque do segundo dia do CAB

O segundo dia do Congresso Aeroespacial Brasileiro (CAB) foi marcado pela palestra do Engenheiro da NASA Todd Barber e pela presença do primeiro astronauta brasileiro, o Cel. Marcos Pontes. Confiram o resumo.O segundo dia:O dia começou com uma mesa redonda entre os convidados brasileiros e estrangeiros, onde puderam conversar sobre os programas aeroespaciais consolidados em outros países e em construção como o do Paraguai, destacando suas principais ações e fazendo um contraponto com o Programa Aeroespacial Brasileiro. Entre outros, participaram dessa mesa redonda, os representantes das agências espaciais estrangeiras como o Engenheiro da NASA (Todd Barber), o Prof. Alon Gany (Technion/ISA), o Dr. Roberto Ibba (diretor da Agência Espacial Italiana) e da agência brasileira, Rodrigo Leonardi (AEB).

Todd Barber da NASA e demais representantes das agências espaciais e professores convidados para mesa-redonda

 As duas palestras da manhã foram realizadas primeiramente pelo Sr. José Monserrat Filho,  Jornalista e Jurista, membro da Academia Internacional de Astronáutica (AIA) e do Comitê de Direito Espacial da Internacional Law Association. Também é vice presidente da Associação Brasileira de Direito Aeronáutico e Espacial SBDA. O Sr. Monserrat tratou sobre Cooperação internacional e direito espacial. O mesmo ressaltou o uso do espaço para fins pacíficos e a necessidade de leis para regulamentar as atividades aeroespaciais. A segunda palestra abordou a missão de exploração em Marte feita por um Rover (tipo de sonda robô) enviado pela NASA, contada de maneira entusiasmada  pelo Eng. Todd Barber, que trabalha no JPL (Jet Propulsion Laboratory) em Pasadena, California USA. Particularmente, Todd colaborou nos testes dos softwares para controle dos propulsores usados  no estágio do cruzeiro espacial para entregar o rover em solo marciano.  O chamado “Sete minutos de terror” correspondeu justamente o tempo para o Rover Curiosity ser entregue a superfície de Marte pelo módulo de descida em uma operação extremamente cuidadosa e com alta precisão. Para se ter ideia da complexidade da missão, em determinada altitude, o módulo de descida (que carrega o Rover) se separa de seu escudo térmico após entrada em Marte abrindo um pára-quedas para reduzir a sua velocidade. Ao fim desta etapa, o módulo se livra de sua parte superior e do pára-quedas entrando em queda livre. O Rover é então ligado a uma plataforma na qual os propelentes de hidrazina estão localizados. Este é o começo da seqüência de retro-propulsão. Os 8 foguetes reduzem ainda mais a velocidade do módulo de descida. Enquanto isso, o Rover Curiosity deixa sua configuração de vôo para fazer uma configuração de pouso. Os foguetes de retro-propulsão conseguem cancelar completamente a velocidade do Rover, mas eles não o trazem para o chão. A poucos metros de altitude, o módulo de descida para, pois, se os foguetes se aproximarem demais do solo, eles levantarão uma nuvem de poeira que pode danificar os instrumentos científicos do veículo antes mesmo do início de sua missão. A solução de projeto foi abaixar o rover com cabos, para então ser entregue pelo módulo.Outro ponto alto do dia foi a presença do primeiro astronauta brasileiro, Cel. Aviador Marcos Pontes,  que contou um pouco da sua trajetória e de como aos poucos, com determinação, foco e perseverança foi conquistando os seus sonhos. Foi o momento mais inspirador para os alunos e platéia em geral que o assistiam. Pontes também falou sobre as expectativas e oportunidades geradas pelo turismo e indústria espacial.

Cel. Marcos Pontes, primeiro astronauta brasileiro em palestra no CAB

 Após sua palestra, Marcos Pontes foi convidado a integrar a mesa-redonda do segundo dia do CAB. A mesa-redonda trouxe a discussão o tema “Propostas para a reformulação do Programa Espacial Brasileiro PEB”. Na mesa-redonda estavam presentes o Prof. Claus (UFC), o Brig. Vital (PESE), Prof. Airton Nabarette (ITA), Sr. Monserra Filho (SBDA), e intermediando, o Prof. Oswaldo Loureda (UniAmerica). Inicialmente, Loureda levantou a questão sobre quais seriam os principais entraves ao programa espacial brasileiro PEB. Inicialmente o Brig. Vital disse que o comitê para desenvolvimento do PEB em 2015 identificou alguns problemas que ocorreram simultaneamente, ressaltando que entre esses problemas, a falta de governança a nível de decisões foi o principal problema e todo os outros sintomas  que surgiram como consequência da falta dessa governança. O Dr. Monserrat mencionou que há recursos que podem ser aplicados no PEB, porém, deve-se pensar em seus problemas internos, contribuindo em suas atividades espaciais para ajudar na redução da desigualdade social. O prof. Nabarrete reafirmou seu compromisso como educador na área acadêmica e que como tal tenta motivar seus alunos da Engenharia Aeroespacial de modo a não se preocuparem com os problemas do setor. Disse que entre os entraves, a burocracia é algo que pouco ou praticamente não ajuda nos planos acadêmicos do curso. Como exemplo, Nabarrete citou a demora para publicarem as atribuições que regulamentam a profissão de Engenheiro Aeroespacial. O prof. Claus, colocou como um dos entraves a presença de uma continuidade na qualificação de recursos humanos.  Rodrigo Leonardi mencionou que o principal objetivo geral maior do PEB é “utilizar sistemas espaciais em beneficio de nossa sociedade na solução de problemas nacionais”. Apesar, segundo Rodrigo, esse objetivo seja de consenso comum, o problema está em como se deve fazer para atingir este objetivo. Ressalvou também a questão de governança e da necessidade da Agência Espacial Brasileira em assumir seu papel de liderança e de um Conselho Nacional de Espaço para evoluir nas tomadas de decisão. Em seguida, o Cel. Pontes observou que deve haver uma resposta do sistema diante os problemas e que para tanto uma melhor comunicação para conectar de maneira eficiente as instituições que estão fragmentadas. Dessa forma, segundo Pontes, pode-se começar a alinhar as idéias para ajustar estes agentes do setor aos mesmos objetivos para desenvolvimento do PEB.Após a mesa-redonda, o Cel. Marcos Pontes foi homenageado pela UniAmérica, com a entrega do título de Doutor Honoris Causa. Fechando assim o segundo dia do CAB.

Marcos Pontes recebeu o título de Doutor Honoris Causa do Reitor e Pró-Reitor da UniAmérica.

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